Copyright © Ler nos livros
Design by Dzignine
sábado, 3 de março de 2012

Book Review - Aproveita o dia



Imagem retida do seguinte blog:

Saul Bellow, Aproveita o dia. Lisboa, Texto editora, 2007.
Livro requisitado na Biblioteca Municipal Afonso Lopres Vieira

Este é o primeiro livro que li de Saul Bellow e fiquei com curiosidade para conhecer mais a obra deste autor. Quanto a esta livro, confesso que senti bem a tristeza e desânimo da personagem principal pois trata-se da história de um homem de meia idade que pouco mais fez que desperdiçar a vida com ilusões de sucesso. Wilhelm tem apenas a companhia de um pai, que se recusa a apoiá-lo financeiramente, e de uma ex-mulher, cuja única preocupação é a de receber mais dinheiro. Entretanto, surge um estranho que acaba por iludi-lo ainda mais. Senti-me triste pela personagem principal desta história com um título bem irónico. Após esta leitura, pensei que não tinha gostado do livro, mas foi apenas a recusa de sentir a tristeza por uma vida desperdiçada. Um bom livro para reflectir.

Primeira frase: "No que tocava a esconder os seus problemas, Tommy Wilhelm era tão bom como qualquer outra pessoa. Pelo menos estava convencido disso e provas não lhe faltavam. Em tempos tinha sido actor - bem, actor não, figurante e nessa altura aprendeu a representar."

Última frase: "As flores e as luzes fundiram-se estaticamente nos olhos cegos e molhados de W.; uma música pesada como a do mar encheu-lhe os ouvidos. Entrou dentro dele e encontrou-o escondido no meio de uma multidão pela grande e feliz capa das lágrimas. Ele ouviu-a e foi mais longe do que o desgosto, através de soluços e choros dilacerantes, atrás da satisfação da derradeira vontade do seu coração."

Book Review - Vagabundos cruzando a noite

Vagabundos Cruzando a Noite
Imagem retirada de.
http://www.antigona.pt  

Jack London, Vagabundos cruzando a noite. Lisboa, Antígona, 1997, 190 p.
Livro requisitado na Biblioteca João Soares

Comecei o ano 2012 a ler A Peste de Albert Camus e, de seguida, escolhi ler Jack London. Via os livros de Jack London na estante a "chamarem-me" para serem lidos, mas ainda não sentia que tinha chegado a sua vez! No entanto, em Janeiro decidi não resistir mais e comecei por um que me pareceu, dentro da escolha que tinha, o mais autobiográfico possível. E comecei por este livro, que  tem como título original The road. De facto, neste livro o autor descreve bem, embora para mim inacreditável mas real, a vida de um rapaz com apenas 18 anos, que atravessa várias regiões dos Estados Unidos no início do século XX. As condições difíceis, a fome, a necessidade de ser arguto para superar essas dificuldades impressionaram-me e levaram-me a reflectir que o bem-estar social é tão passageiro e recente. O Homem nasceu para viver, superar dificuldades e aproveitar o melhor que a vida lhe oferece, sem esperar levar nada, a não ser a certeza de que tudo fez com honestidade para si e para os outros.
[De salientar ainda que esta editora, a Antígona, é uma das minhas preferidas!]

Book Review - A Peste

Imagem retirada de :
     
Albert Camus, A Peste. [Lisboa], Círculo de Leitores, 1988, 323 p.

Livro requisitado na Biblioteca João Soares

Desde os meus 15 anos que conheço esta história. No entanto tiveram que passar mais 15 para eu finalmente ler este famoso livro de Albert Camus. Não foi a minha estreia na leitura deste autor, em 2001 li "O Estrangeiro". Não sei se foi por estar de férias e de estar naturalmente mais tranquila, mas lembro-me que na altura esse livro impressionou-me muito e verifiquei que era um autor excelente. Não tive tanto esse impacto com este livro, embora a beleza da escrita me tenha muitas vezes feito abrandar o ritmo da leitura para apreciar as frases. Quando isto me acontece sei que estou perante um grande livro. 

P. 61: " Experimentavam assim o sofrimento profundo de todos os prisioneiros e de todos os exilados que vivem com uma memória que não serve para nada. Este próprio passado em que eles reflectiam sem cessar tinha apenas o gosto do arrependimento."

P. 67: "  Como um café tivesse anunciado que "quem vinho bebe, mata a febre", a ideia, já natural no público de que o álcool preservava das doenças infecciosas, fortificava-se na opinião geral. Todas as noites pelas 22 horas, um número considerável de bêbados expulsos dos café enchia as ruas e espalhava-se por elas com afirmações optimistas."

P. 68: " Com a ajuda da fadiga, ele deixara correr as coisas, tinha-se calado cada vez mais e não mantivera a sua jovem mulher na ideia de que era amada. Um homem que trabalha, a pobreza, o futuro lentamente fechado, o silêncio dos serões à volta da mesa - não há lugar para a paixão num tal universo."

P. 103: " Mas o narrador tenta-se mais a acreditar que, dando demasiada importância às belas acções, se presta finalmente uma homenagem indirecta e poderosa ao mal, pois deixaria então supor que estas belas acções só valem tanto por serem raras e que a maldade e a indiferença são forças motrizes bem mais frequentes nas acções dos homens. Essa é uma ideia de que o narrador não compartilha. O mal que existe no mundo vem quase sempre da ignorância, e a boa vontade, se não for esclarecida, pode fazer tantos estragos como a maldade. Os homens são mais bons que maus, e, na verdade, a questão não está aí. Mas ignoram mais ou menos, e é a isso que se chama virtude ou vício, sendo o vício mais desesperado o da ignorância, que julga saber tudo e se autoriza então a matar.

P. 149: "Evidentemente - acrescentava Tarrou -, ele está ameaçado como os outros, mas justamente está-o como os outros. Depois, não está seriamente convencido, tenho a certeza, de que possa ser atingido pela peste. Parece viver da ideia, não de todo tola, aliás, de que um homem que é presa de uma grande doença ou de uma angústia profunda está dispensado, ipso facto, de todas as outras doenças ou angústias. "Já reparou - disse-me ele- que não se podem acumular doenças? (...) a coisa ainda vai mais longe, pois nunca se viu um canceroso morrer de um desastre de automóvel. Falsa ou verdadeira, esta ideia põe Cottard de bom humor."

P. 192" - Em suma - disse Tarrou com simplicidade-, o que me interessa é saber como se pode ser santo.
-Mas você não acredita em Deus.
- Justamente. Pode ser-se santo sem Deus? Eis o único problema que hoje me preocupa."



domingo, 12 de fevereiro de 2012

Mistério na Biblioteca

Depois de ter lido "A profecia celestina" dou comigo a ver coincidências em todo o lado... Desta vez
trata-se de um verdadeiro mistério de tradução. Ora vejamos:

encontrei na biblioteca dois livros que me chamaram a atenção e que de imediato pensei em ler. Quando os juntei para fazer uma requisição é que que verifiquei a semelhança dos títulos!

                                        

Para além dos títulos, os autores também têm o apelido semelhante... Relembro que o primeiro título chama-se no original "Fly by night"(2009) - Frances Hardinge e o segundo título em inglês é "Florence and Giles"(2010) de John Harding!

Mais um caso de Traduttori, Traditore... quem sabe?


Leituras de Janeiro/Fevereiro:


A peste de Albert Camus
The road de Jack London
Aproveita o dia de Saul Bellow
A profecia celestina de James Redfield

Vou preparar algumas breves notas sobre estes livros!

Tanto para falar nem sei por onde começar!! Pelo melhor:


Recebi um selo tão querido!! Pela Maria do blog Pereira's Book's, a quem eu agradeço!!
Mais uma motivação para manter este blog, que é ainda uma novidade para mim!

Regras:

1. Link de volta com o blogueiro que lhe deu;
2. Cole o selinho em seu blog;
3. Escolha 5 blogs para repassá-lo, que tenham menos de 200 seguidores;
4. Deixar comentário avisando que estão recebendo o selinho.
 
Quanto aos 5 blogs para passar escolho os seguintes:


Tentei atribuir este selo a blogs que sigo e que penso ainda não terem recebido este selo. Para além da excelente surpresa de ver o meu blog entre os escolhidos (obrigada, Maria), adorei ter tido a oportunidade de descobrir outros blogs que não conhecia e fiquei a conhecer!

Boas Leituras!!!






sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Na frente ocidental nada de novo.
O Povo
Continua a resistir.
Sem que ninguém lhe valha
Geme e trabalha
até cair.

(Miguel Torga)
via Uma frutinha boa...outra com bicho de Luís Vieira da Mota