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sábado, 7 de julho de 2012

Book Review - Middlesex


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Jeffrey Eugenides, Middlesex, Lisboa, Dom Quixote, 2004, 521 p.

Livro requisitado na Biblioteca João Soares



Comecei a ler este livro com curiosidade e depressa vi que é um livro que exige a nossa total dedicação na leitura, sem outras distrações. A história é narrdada por Calliope e inicia-se com a aventura dos seus avós, emigrantes gregos a viver nos EUA, e protagonistas de uma história de amor muito peculiar, passando depois para a história dos pais até terminar com a narrativa da sua própria transformação sexual. Esta leitura mostra que o autor é excepcional mas infelizmente a história não me impressionou tanto como estava à espera. Já quando li em 2006 As virgens suicidas fiquei com a mesma impressão. Em parte por achar que o detalhe aqui é levado ao exagero, com descrições longas que atrasam o desenvolvimento da história e que, a meu ver, não acrescentam nada, só um pouco de tédio. A história arrasta-se tão lentamente que dá azo a lapsos como troca de nomes de personagens, que confundiram-me na leitura, mas como é uma leitura pouco dada a distrações, foram falhas facilmente detectáveis!...
 Gostei das personagens, embora sejamos conduzidos por uma Callie que observa tudo omnisciente e depois entra também no desenvolvimento da sua história.

P. 377
/ 380 /
419 420

Book Review - Um gosto e seis vinténs


Imagem retirada de:


Somerset Maugham, Um gosto e seis vinténs, Livros do Brasil, 246 p.

Livro requisitado na Biblioteca João Soares


Após a leitura de O fio da navalha, foi com um sentimento de deslumbre que li este livro. Pela referência que o autor fez desta história no início de O Fio da Navalha, fiquei curiosa e foi inesquecível o prazer com que fui conhecendo a história de Strickland, o pintor que Maugham cria baseado na vida de Paul Gauguin. É excepcional o desenvolvimento desta história, desde a descrição da vida familiar de S., inserido numa vida normalíssima, nada digna de nota para os conhecidos e a corajosa mudança que realizou dedicando a sua vida unicamente às artes. Essa transformação cai com um estrondo semelhante à queda de um S.Paulo e respectiva conversão. Ah, coincidência! S.Paulo e "Paul" Gauguin. A veemência do pensamento e atitude são bem similares, numa versão heterodoxa. Os danos que causa a terceiros em nome do ideal artístico, sem disso ter consciência, são "absolvidos" pelo génio artístico, tão pouco reconhecido na época. É uma vida extraordinária. Enquanto uns questionam o sentido da vida (Larry, O fio da navalha) outros arriscam com uma fé inabalável numa vida dedicada ao puro acto da criação artística porque, para o bem e para o mal, nasceram para isso. Nota especial para o pobre Stroeve, um pintor sensível e sem arte.

p. 172

Book Review - O fio da navalha

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Somerset Maugham, O fio da navalha, Lisboa, Círculo de Leitores, 1974, 328 p.

Livro requisitado na Biblioteca João Soares



Este foi o livro que levei para a lua de mel! Coloquei o livro logo de parte, não porque fosse desinteressante, mas porque na Casa das Penhas Douradas existem ao dispor de todos os hóspedes livros dos mais variados temas, tais como arquitectura, livros de viagens, romances e policiais. Tomei então a decisão de ler Agatha Christie. Esta ideia de associar a leitura de A.C. a pausas de verão tem-me impedido de a ler por estar à espera da "melhor" altura para ler, apesar de ter dois livros na minha estante à espera. Comecei a leitura perto da lareira enquanto nevava lá fora (em Abril!). Ironicamente, o livro começa com uma citação do poema "The Lady of Shallot" de Lord Tennyson, que desde 1998 mudou a minha vida com a descoberta da sua versão musicada pela Loreena McKennitt. Sobre este livro de Christie The mirror cracked side to side falarei mais tarde.

Quanto ao livro de Somerset, peguei nele depois e continuei a ler a história de Larry, Isabel e do tio Elliot. Confesso que gostei muito, mas não é até agora o meu preferido. O meu livro preferido é "The moon and six pence / Um gosto e seis vinténs", que o autor menciona logo no início da história (e que por isso me levou a lê-lo de seguida!).

A escrita de Maugham prende-nos, vivi a história e compreendi a inquietação de Larry, que é a personagem mais interessante a meu ver. Sim, claro que o tio Eliott é a essência da história e que Isabel é uma personagem inteligente (?), mas não tenho paciência para uma certa superficialidade de ambos e que o autor narrador também partilha. Compreendo que seja necessária para ultrapassar certas dúvidas e dificuldades que se vão acentuando ao longo do caminho. E é nesse meio termo, fio da navalha, que a vida acontece.

Book review - Casamento em Florença

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Somerset Maugham, Casamento em Florença, Livros do Brasil
Livro requisitado na BIblioteca João Soares


Num breve intervalo à leitura do tio Goriot, li "Casamente em Florença" (porque será?) para ter um pouco noção da escrita de Somerset Maugham. Não me desiludi, pelo contrário, tive a confirmação de que se trata de um escritor muito acutilante na descrição psicológica das personagens. Esta história centra-se numa personagem feminina que teve um casamento infeliz e consequente desilusão amorosa. Permancendo na esperança de acreditar no amor e  no valor que este tem,apesar de fugaz e perene ao mesmo tempo, decide fazer algo impensável: oferecer amor sem esperança no futuro, mas vivendo o momento. Esta atitude vai por sua vez colidir com outros sonhos de terceiros, que ainda acreditam no amor para sempre. A história é descrita com uma ironia desconcertante e ao mesmo tempo terna e bem reveladora do quanto o amor é contraditório nas suas manifestações e intenções.Um romance aparentemente leve, mas tão irónico. 

Book review - O tio Goriot





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Biblioteca Municipal Tomás Ribeiro

Honoré de Balzac, o Tio Goriot, Lisboa, Portugália, 1969, 396 p.
Livro requisitado na Biblioteca João Soares

Li este livro nos meses que antecederam o casamento e, por isso, só de olhar para ele faz-me lembrar com saudade a leitura. Se, como dizia Thoreau, grandes livros marcam o início de novas etapas da nossa vida, para mim grandes momentos têm de ser acompanhados por livros muito bons! É o caso deste livro e desta altura da minha vida! 
Aconselhado por uma amiga, esta leitura superou qualquer expectativa. A história começa com a descrição da pensão da Sra. Vauquer na Rue Neuve-Sainte-Geneviève onde estão alojadas as personages principais: o pai Goriot e Eugénio de Rastignac. Para além destas personagens, temos a senhora Couture, Vitorina, o Senhor Poiret e o perspicaz senhor Vautrin. A menina Michonneau, sem esquecer Sílvia e Cristóvão, empregados da pensão. 
A história desenrola-se a partir da experiência de Eugénio, estudante de Medicina em Paris, a dar os primeiros passos na alta sociedade parisiense. Embora provenha de uma família com antecessores aristocratas, Eugénio almeja alcançar sucesso social no meio parisiense. O deslumbramento inicial de Eugénio face ao luxo, leva-o a tentar adoptar esse estilo de vida, através de um procedimento "comum": ligar-se a uma amante rica e de preferência casada...
O solitário tio Goriot entra na história com uma surpreendente reviravolta: Eugénio descobre que é o pai da sua tão desejada duquesa de Nucingen. De facto, Goriot é um antigo industrial que fez fortuna no negócio de massas alimentares e pai de duas filhas bem-casadas com ilustres senhores da alta sociedade. Estas duas filhas vão renegar o pai quando este deixa de as poder sustentar num estilo de vida luxuoso e superficial. O velho pai é explorado até à miséria pelas filhas sem se aperceber. Também Eugénio tenta uma aproximação junto de Goriot para conhecer melhor a filha duquesa.
Este livro é de uma beleza rara na descrição da natureza humana. O crescimento de Eugénio, ao adquirir uma melhor compreensão da sociedade parisiense, fez-me crescer também. O final da história é bem revelador de uma nova sensibilidade face ao sofrimento envolvente com  o último suspiro de Goriot a ganhar um sentido tão próximo ao real. 
Este é daqueles livros que à medida que se vai lendo, torna-se necessário tomar nota das páginas que descrevem tão bem a natureza humana. Este livro pertence à Estante dos Inesquecíveis e dos Que um dia vou reler.O tio Goriot fez-me pensar nos filhos e na sua educação. Tão bem quis Goriot fazer às filhas, que apenas criou egoísmo. O espírito de sacrifício da família também é bem revelador na história de Eugénio. Um grande livro sobre a natureza humana, capaz de infligir tantas injustiças ao próximo e, ao mesmo tempo, manifestar generosidade sem par.

* De Balzac, já tinha lido "A mulher de trinta anos", precisamente na véspera de fazer os 30 anos em 2010.


domingo, 4 de março de 2012

Terminado Fevereiro, venha um Março cheio de leituras!

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http://tonsdeazul.blogspot.com

Livro emprestado do G.
Markus Zusak, A rapariga que roubava livros


Este livro é um dos melhores livros que já li nos últimos tempos. Vai para a estante dos favoritos pela sua história de rara beleza e sensibilidade. As personagens são tão reais que quase as via à minha frente. Aliás, desejei e procurei no final do livro alguma nota que revelasse que afinal a Liesel existiu mesmo. Com tristeza, penso que terão existido muitas raparigas e rapazes, como a Liesel e o Rudy, cujas vidas foram afectadas tão dramaticamente pela II Guerra Mundial. O amor de Liesel pelos livros e a aprendizagem da leitura com um ritmo muito próprio são descritos de uma forma muito especial. Este é um livro que fala do amor pelos livros, da beleza da amizade, de actos heróicos e humanos, ao mesmo que se vai desenrolando a destruição implacável de uma guerra assente no ódio e na ignorância do que é um ser humano. Deste livro não tenho nenhum excerto para colocar, pois teria que colocar aqui todas as páginas e todas as ilustrações. Mas tenho o livro na minha estante e quando quiser ler páginas repletas de verdadeira beleza e sabedoria, releio este livro de Markus Zusak.

Continuando com... Book Reviews de Fevereiro - A Rapariga que sabia ler vs. A menina que não sabia ler

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http://leiturasnabe.blogspot.com

Frances Harding, A rapariga que sabia ler. Lisboa, Presença, 2009, 334 p.
Livro requisitado na Biblioteca João Soares


Já expliquei aqui como encontrei este livro e porque é que constituiu uma das minhas leituras deste ano. De facto, não tivessem sido aquelas coincidência não teria para já lido estes livros. No entanto, avancei para a sua leitura e considero que até foram interessantes. Este particularmente surpreendeu-me pela riqueza de vocabulário e da história. À medida que o ia lendo, vinha-me sempre à ideia a história de "O Perfume" pelo cenário setecentista. No final do livro, a autora refere-se ao reino encantado como algo que surgiu na sua imaginação, atribuindo-lhe algumas características da época do séc. XVIII! Ou seja, foi a confirmação de alguma sensação de dejá vu. A história é engraçada e tem muitos momentos de pura diversão. Desta história, retiro um excerto que me divertiu muito. Um livro bem imaginado.

P. 98.: "- Mabwick Toke é o presidente da delegação dos Impressores em Mandelion. É capaz de citar o "Esforços" de Pessimese de uma ponta à outra, de Génesetranquila até Consequências, no Acrílico de origem. Fala vinte línguas, metade delas ainda em uso, incluindo duas dos Montes Aragash, e uma que só se consegue falar se se puser uma moeda debaixo da língua. Quando viaja, leva as estantes tão atafulhadas de livros que nem uma brisa lá consegue penetrar sem muito esforço. Uma vez, conseguiu desmascarar uma liga de subversivos ao identificar um único fio sedoso na textura do papel de um bilhete de ópera. Se a inteligência fosse alfinetes, o homem era como um ouriço-cacheiro.




A Menina Que Não Sabia Ler 

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John Harding, A menina que não sabia ler. Alfragide, Livros d´hoje, 2010, 282 p.

Livro requisitado na Biblioteca João Soares


Este livro foi descoberto numa engraçada (?) coincidência de arrumação. Estava a organizar os livros novos quando este me chama a atenção. Quase ao mesmo tempo, agarro noutro livro e quando os junto para fazer a requisição é que reparo na semelhança dos títulos e nos nomes dos autores.  Depois de ler "A Profecia Celestina" sem dúvida que é estranha a coincidência! E por isto tudo, decidi que estes livros tinham de ser lidos em conjunto! Mas esta história acabou por vencer no interesse, isto é, inicialmente a minha atenção pendia mais para a escrita de Frances Hardinge.  Este não parecia tão bem escrito, mas quando me deixei levar pela história tive mesmo que deixar " A rapariga que sabia ler" de parte para me concentrar totalmente nesta história. O final foi totalmente inesperado e assustador. Perturbador, talvez seja a palavra mais adequada. Só por esse elemento de surpresa, o livro impressionou-me. No entanto , não encontrei nenhuma frase que se destacasse com um pensamento digno de nota. A estrutura da história e a personagem principal, a menina Florence, são o que este livro tem de mais especial, na minha humilde opinião.