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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Book review - Viagem à roda do meu nome




Alice Vieira, Viagem à roda do meu nome. 7ªed. Lisboa, Caminho, 1997, 143 p.

Estas palavras resultam de uma releitura deste livro. Confesso que das minhas primeiras leituras de autores portugueses na escola, as que relembro melhor são as histórias de Alice Vieira. Muitas ficaram-me na memória, mas não pelos melhores motivos. Considerava-as tristes e sem esperança. Não me recordo do título mas uma história era a de um menino, a quem o pai pouco ligava e que teve de ir para a escola com os sapatos da irmã. Esse menino acabou por faltar às aulas... Outra era a história de uma rapariga que, vivendo pobre outrora, foi a uma festa muito bem vestida mas quando se olhava ao espelho, não via a sua nova figura mas a pobreza de outros tempos. Morreu com uma síncope... Realidades da vida? Sim, talvez. Mas aos 12 anos recusava-me a aceitar que a vida era assim tão complicada e sem finais felizes.
Quanto a este livro, lido "hoje", ainda duvido que a Rita dos meus 12 anos gostasse, mas a Rita de 32 gostou! O jovem Abílio vai descobrir como o seu nome, que considerava feio, era especial para as memórias da velha prima de nome Constança. As memórias têm a capacidade de embelezar a nossa realidade e, à medida que o tempo passa, aprendemos a compreender e a amar as nossas raízes. Essa viagem até Aveiro vai mudar Abílio para sempre: a visita à prima Constança ajudá-lo-á a perceber a razão da escolha do seu nome. A partir desse momento, Abílio aceita-se como é e deixa de se importar com o que os outros dizem. Na viagem de regresso a Lisboa e após a morte da prima, Abílio conhece no expresso uma senhora viúva que muito singelamente lhe explica a importância da memória que "desafia" a própria morte, tratando-a como uma ausência meramente física. Cada um tem as suas razões para ser feliz e de ser como é, independentemente dos juízos de valor dos outros. Recomendarei esta história aos meus filhos.

Virar a página...

Depressa passou o tempo e este espaço ficou à espera de mais impressões das minhas leituras. Não me admira, a pressa que tenho em ler mais impede-me de pôr as reflexões por escrito. No entanto, não gostaria de passar em branco as leituras que fiz e, por isso, vou escolher alguns livros para abordar aqui. Curiosamente, reparei que no ano passado não segui totalmente a ordem de leitura. Acabei por não reflectir sobre dois livros que eu li e até me pertencem:
A Menina que roubava livros de Markus Zusak e A Sociedade Literária Tarte de Casca de Batata de  Mary Anne Shaffer. Para já não me incomoda não fazer uma apreciação pois são livros que espero reler e descobrir outras perspectivas! Ambos falam do amor pelos livros e do poder mágico da leitura num contexto tão complexo como o da II Guerra Mundial.

                                             1.  
                                                                                                              
Imagem 1 retirada de:     www.palavras-impressas.blogspot.pt 
sábado, 7 de julho de 2012

Leituras paralelas e balanço do primeiro semestre



Eis algumas das leituras paralelas, feitas entre a leituras dos clásicos e de autores locais. Ainda não fiz uma retrospectiva destas leituras pois fui avançando na leitura das tais obras importantes... No primeiro trimestre de leituras, tomei a decisão de orientar as minhas escolhas para dar preferência a clássicos da literatura estrangeira e portuguesa, entre os quais autores de quem eu oiço falar há muito tempo mas a quem nunca dediquei tempo. Igualmente importante nestas escolhas, está a vontade de conhecer a obra dos autores locais. 
Num primeiro balanço do semestre, concluo que devo continuar nesta resolução ainda não tão notória como gostaria! A literatura portuguesa continua a estar presente apenas com os autores locais. Livros de outros escritores nacionais continuam ausentes...

Caso para dizer:"Tantos livros, tão pouco tempo"

* Algo digno de nota: segundo o Goodreads (e as fantásticas estatísticas), já atingi o número total de livros lidos o ano passado, que foram um total de 17. Continuo no caminho até 24, e quem sabe mais além com esta resolução de 2012!!



Book Review - O alto espaldar da cadeira de verga

Imagem retirada de:



Luís Vieira da Mota, O alto espaldar da cadeira de verga. Leiria, Diferença, 2001, 160 p.

Livro requisitado na Biblioteca João Soares

Tem sido uma surpresa a leitura dos livros do escritor (e amigo dos Serões Literários) Luís Vieira da Mota. Várias vicissitudes atrasaram-me na leitura das obras deste escritor. Quando comecei a ler Renascer em Córdova, começou uma etapa inesperada da minha vida que me afastou durante algum tempo da leitura, ironicamente... Nem gosto de recordar esse tempo. E por isso sempre que me lembro, tento esquecer. Mais tarde tive uma oportunidade, que não aproveitei, e desde O último silvo do vapor que me delicio nesta leitura. Este livro não foi excepção. Sem o encanto da personagem do livro O último silvo..., à personagem principal não lhe falta alguma tragédia na vida, felizmente não tão fatal nas consequências! É a história de um casal, com as suas rotinas bem presentes e sonhos adiados. Reflectem-se as transformações do pós 25 de Abril no país. Essa mudança não se reflectiu na vida das personagens da maneira como desejavam. Ilusões que se vão perdendo. Felizes deles, que ainda as tinham. Curiosamente, a senhora ambicionava uma vida dedicada às Artes, mas ao contrário de Strickland, preferiu manter o sonho condicionado por certas marcas negativas da infância e da vida neste país tão pequeno. O sucesso material do marido, tão difícil de alcançar e de manter, proporcionou apenas um conforto vazio. E é na cadeira de verga com um alto espaldar que a senhora recorda momentos da sua vida, em especial um "revolucionário" que renegou o capitalismo consumista e que conhecera numas férias. Este encontro com o poeta vai renascer nela a tristeza de não ter tido a coragem de lutar por um ideal de vida.
Este livro é quase um ensaio sobre o sentido do caminho pessoal e do país. Gostei de ver as personagens a discutir problemas que nos marcam ainda hoje.

Book Review - Middlesex


Imagem retirada de:

Jeffrey Eugenides, Middlesex, Lisboa, Dom Quixote, 2004, 521 p.

Livro requisitado na Biblioteca João Soares



Comecei a ler este livro com curiosidade e depressa vi que é um livro que exige a nossa total dedicação na leitura, sem outras distrações. A história é narrdada por Calliope e inicia-se com a aventura dos seus avós, emigrantes gregos a viver nos EUA, e protagonistas de uma história de amor muito peculiar, passando depois para a história dos pais até terminar com a narrativa da sua própria transformação sexual. Esta leitura mostra que o autor é excepcional mas infelizmente a história não me impressionou tanto como estava à espera. Já quando li em 2006 As virgens suicidas fiquei com a mesma impressão. Em parte por achar que o detalhe aqui é levado ao exagero, com descrições longas que atrasam o desenvolvimento da história e que, a meu ver, não acrescentam nada, só um pouco de tédio. A história arrasta-se tão lentamente que dá azo a lapsos como troca de nomes de personagens, que confundiram-me na leitura, mas como é uma leitura pouco dada a distrações, foram falhas facilmente detectáveis!...
 Gostei das personagens, embora sejamos conduzidos por uma Callie que observa tudo omnisciente e depois entra também no desenvolvimento da sua história.

P. 377
/ 380 /
419 420

Book Review - Um gosto e seis vinténs


Imagem retirada de:


Somerset Maugham, Um gosto e seis vinténs, Livros do Brasil, 246 p.

Livro requisitado na Biblioteca João Soares


Após a leitura de O fio da navalha, foi com um sentimento de deslumbre que li este livro. Pela referência que o autor fez desta história no início de O Fio da Navalha, fiquei curiosa e foi inesquecível o prazer com que fui conhecendo a história de Strickland, o pintor que Maugham cria baseado na vida de Paul Gauguin. É excepcional o desenvolvimento desta história, desde a descrição da vida familiar de S., inserido numa vida normalíssima, nada digna de nota para os conhecidos e a corajosa mudança que realizou dedicando a sua vida unicamente às artes. Essa transformação cai com um estrondo semelhante à queda de um S.Paulo e respectiva conversão. Ah, coincidência! S.Paulo e "Paul" Gauguin. A veemência do pensamento e atitude são bem similares, numa versão heterodoxa. Os danos que causa a terceiros em nome do ideal artístico, sem disso ter consciência, são "absolvidos" pelo génio artístico, tão pouco reconhecido na época. É uma vida extraordinária. Enquanto uns questionam o sentido da vida (Larry, O fio da navalha) outros arriscam com uma fé inabalável numa vida dedicada ao puro acto da criação artística porque, para o bem e para o mal, nasceram para isso. Nota especial para o pobre Stroeve, um pintor sensível e sem arte.

p. 172

Book Review - O fio da navalha

Esta imagem foi retirada de:


Somerset Maugham, O fio da navalha, Lisboa, Círculo de Leitores, 1974, 328 p.

Livro requisitado na Biblioteca João Soares



Este foi o livro que levei para a lua de mel! Coloquei o livro logo de parte, não porque fosse desinteressante, mas porque na Casa das Penhas Douradas existem ao dispor de todos os hóspedes livros dos mais variados temas, tais como arquitectura, livros de viagens, romances e policiais. Tomei então a decisão de ler Agatha Christie. Esta ideia de associar a leitura de A.C. a pausas de verão tem-me impedido de a ler por estar à espera da "melhor" altura para ler, apesar de ter dois livros na minha estante à espera. Comecei a leitura perto da lareira enquanto nevava lá fora (em Abril!). Ironicamente, o livro começa com uma citação do poema "The Lady of Shallot" de Lord Tennyson, que desde 1998 mudou a minha vida com a descoberta da sua versão musicada pela Loreena McKennitt. Sobre este livro de Christie The mirror cracked side to side falarei mais tarde.

Quanto ao livro de Somerset, peguei nele depois e continuei a ler a história de Larry, Isabel e do tio Elliot. Confesso que gostei muito, mas não é até agora o meu preferido. O meu livro preferido é "The moon and six pence / Um gosto e seis vinténs", que o autor menciona logo no início da história (e que por isso me levou a lê-lo de seguida!).

A escrita de Maugham prende-nos, vivi a história e compreendi a inquietação de Larry, que é a personagem mais interessante a meu ver. Sim, claro que o tio Eliott é a essência da história e que Isabel é uma personagem inteligente (?), mas não tenho paciência para uma certa superficialidade de ambos e que o autor narrador também partilha. Compreendo que seja necessária para ultrapassar certas dúvidas e dificuldades que se vão acentuando ao longo do caminho. E é nesse meio termo, fio da navalha, que a vida acontece.

Book review - Casamento em Florença

Imagem retirada de:
Somerset Maugham, Casamento em Florença, Livros do Brasil
Livro requisitado na BIblioteca João Soares


Num breve intervalo à leitura do tio Goriot, li "Casamente em Florença" (porque será?) para ter um pouco noção da escrita de Somerset Maugham. Não me desiludi, pelo contrário, tive a confirmação de que se trata de um escritor muito acutilante na descrição psicológica das personagens. Esta história centra-se numa personagem feminina que teve um casamento infeliz e consequente desilusão amorosa. Permancendo na esperança de acreditar no amor e  no valor que este tem,apesar de fugaz e perene ao mesmo tempo, decide fazer algo impensável: oferecer amor sem esperança no futuro, mas vivendo o momento. Esta atitude vai por sua vez colidir com outros sonhos de terceiros, que ainda acreditam no amor para sempre. A história é descrita com uma ironia desconcertante e ao mesmo tempo terna e bem reveladora do quanto o amor é contraditório nas suas manifestações e intenções.Um romance aparentemente leve, mas tão irónico. 

Book review - O tio Goriot





Esta imagem foi retirada de:
Biblioteca Municipal Tomás Ribeiro

Honoré de Balzac, o Tio Goriot, Lisboa, Portugália, 1969, 396 p.
Livro requisitado na Biblioteca João Soares

Li este livro nos meses que antecederam o casamento e, por isso, só de olhar para ele faz-me lembrar com saudade a leitura. Se, como dizia Thoreau, grandes livros marcam o início de novas etapas da nossa vida, para mim grandes momentos têm de ser acompanhados por livros muito bons! É o caso deste livro e desta altura da minha vida! 
Aconselhado por uma amiga, esta leitura superou qualquer expectativa. A história começa com a descrição da pensão da Sra. Vauquer na Rue Neuve-Sainte-Geneviève onde estão alojadas as personages principais: o pai Goriot e Eugénio de Rastignac. Para além destas personagens, temos a senhora Couture, Vitorina, o Senhor Poiret e o perspicaz senhor Vautrin. A menina Michonneau, sem esquecer Sílvia e Cristóvão, empregados da pensão. 
A história desenrola-se a partir da experiência de Eugénio, estudante de Medicina em Paris, a dar os primeiros passos na alta sociedade parisiense. Embora provenha de uma família com antecessores aristocratas, Eugénio almeja alcançar sucesso social no meio parisiense. O deslumbramento inicial de Eugénio face ao luxo, leva-o a tentar adoptar esse estilo de vida, através de um procedimento "comum": ligar-se a uma amante rica e de preferência casada...
O solitário tio Goriot entra na história com uma surpreendente reviravolta: Eugénio descobre que é o pai da sua tão desejada duquesa de Nucingen. De facto, Goriot é um antigo industrial que fez fortuna no negócio de massas alimentares e pai de duas filhas bem-casadas com ilustres senhores da alta sociedade. Estas duas filhas vão renegar o pai quando este deixa de as poder sustentar num estilo de vida luxuoso e superficial. O velho pai é explorado até à miséria pelas filhas sem se aperceber. Também Eugénio tenta uma aproximação junto de Goriot para conhecer melhor a filha duquesa.
Este livro é de uma beleza rara na descrição da natureza humana. O crescimento de Eugénio, ao adquirir uma melhor compreensão da sociedade parisiense, fez-me crescer também. O final da história é bem revelador de uma nova sensibilidade face ao sofrimento envolvente com  o último suspiro de Goriot a ganhar um sentido tão próximo ao real. 
Este é daqueles livros que à medida que se vai lendo, torna-se necessário tomar nota das páginas que descrevem tão bem a natureza humana. Este livro pertence à Estante dos Inesquecíveis e dos Que um dia vou reler.O tio Goriot fez-me pensar nos filhos e na sua educação. Tão bem quis Goriot fazer às filhas, que apenas criou egoísmo. O espírito de sacrifício da família também é bem revelador na história de Eugénio. Um grande livro sobre a natureza humana, capaz de infligir tantas injustiças ao próximo e, ao mesmo tempo, manifestar generosidade sem par.

* De Balzac, já tinha lido "A mulher de trinta anos", precisamente na véspera de fazer os 30 anos em 2010.


domingo, 4 de março de 2012

Terminado Fevereiro, venha um Março cheio de leituras!

Imagem retirada de:
http://tonsdeazul.blogspot.com

Livro emprestado do G.
Markus Zusak, A rapariga que roubava livros


Este livro é um dos melhores livros que já li nos últimos tempos. Vai para a estante dos favoritos pela sua história de rara beleza e sensibilidade. As personagens são tão reais que quase as via à minha frente. Aliás, desejei e procurei no final do livro alguma nota que revelasse que afinal a Liesel existiu mesmo. Com tristeza, penso que terão existido muitas raparigas e rapazes, como a Liesel e o Rudy, cujas vidas foram afectadas tão dramaticamente pela II Guerra Mundial. O amor de Liesel pelos livros e a aprendizagem da leitura com um ritmo muito próprio são descritos de uma forma muito especial. Este é um livro que fala do amor pelos livros, da beleza da amizade, de actos heróicos e humanos, ao mesmo que se vai desenrolando a destruição implacável de uma guerra assente no ódio e na ignorância do que é um ser humano. Deste livro não tenho nenhum excerto para colocar, pois teria que colocar aqui todas as páginas e todas as ilustrações. Mas tenho o livro na minha estante e quando quiser ler páginas repletas de verdadeira beleza e sabedoria, releio este livro de Markus Zusak.

Continuando com... Book Reviews de Fevereiro - A Rapariga que sabia ler vs. A menina que não sabia ler

Imagem retirada de:
http://leiturasnabe.blogspot.com

Frances Harding, A rapariga que sabia ler. Lisboa, Presença, 2009, 334 p.
Livro requisitado na Biblioteca João Soares


Já expliquei aqui como encontrei este livro e porque é que constituiu uma das minhas leituras deste ano. De facto, não tivessem sido aquelas coincidência não teria para já lido estes livros. No entanto, avancei para a sua leitura e considero que até foram interessantes. Este particularmente surpreendeu-me pela riqueza de vocabulário e da história. À medida que o ia lendo, vinha-me sempre à ideia a história de "O Perfume" pelo cenário setecentista. No final do livro, a autora refere-se ao reino encantado como algo que surgiu na sua imaginação, atribuindo-lhe algumas características da época do séc. XVIII! Ou seja, foi a confirmação de alguma sensação de dejá vu. A história é engraçada e tem muitos momentos de pura diversão. Desta história, retiro um excerto que me divertiu muito. Um livro bem imaginado.

P. 98.: "- Mabwick Toke é o presidente da delegação dos Impressores em Mandelion. É capaz de citar o "Esforços" de Pessimese de uma ponta à outra, de Génesetranquila até Consequências, no Acrílico de origem. Fala vinte línguas, metade delas ainda em uso, incluindo duas dos Montes Aragash, e uma que só se consegue falar se se puser uma moeda debaixo da língua. Quando viaja, leva as estantes tão atafulhadas de livros que nem uma brisa lá consegue penetrar sem muito esforço. Uma vez, conseguiu desmascarar uma liga de subversivos ao identificar um único fio sedoso na textura do papel de um bilhete de ópera. Se a inteligência fosse alfinetes, o homem era como um ouriço-cacheiro.




A Menina Que Não Sabia Ler 

Imagem retirada de:


John Harding, A menina que não sabia ler. Alfragide, Livros d´hoje, 2010, 282 p.

Livro requisitado na Biblioteca João Soares


Este livro foi descoberto numa engraçada (?) coincidência de arrumação. Estava a organizar os livros novos quando este me chama a atenção. Quase ao mesmo tempo, agarro noutro livro e quando os junto para fazer a requisição é que reparo na semelhança dos títulos e nos nomes dos autores.  Depois de ler "A Profecia Celestina" sem dúvida que é estranha a coincidência! E por isto tudo, decidi que estes livros tinham de ser lidos em conjunto! Mas esta história acabou por vencer no interesse, isto é, inicialmente a minha atenção pendia mais para a escrita de Frances Hardinge.  Este não parecia tão bem escrito, mas quando me deixei levar pela história tive mesmo que deixar " A rapariga que sabia ler" de parte para me concentrar totalmente nesta história. O final foi totalmente inesperado e assustador. Perturbador, talvez seja a palavra mais adequada. Só por esse elemento de surpresa, o livro impressionou-me. No entanto , não encontrei nenhuma frase que se destacasse com um pensamento digno de nota. A estrutura da história e a personagem principal, a menina Florence, são o que este livro tem de mais especial, na minha humilde opinião.
sábado, 3 de março de 2012

Book Review - A Profecia Celestina

Imagem retirada de:
http://www.mediabooks.com

(Não li esta edição)
Livro requisitado na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira
James Redfield, A profecia celestina


Esta foi a minha segunda tentativa para ler este livro. Desta vez, consegui chegar à última página, mas confesso que depressa me lembrei porque é que foi tão difícil ler na primeira tentativa: a história é aborrecida e forçada. No entanto, as várias profecias até tinham o seu interesse. Quando tiver disponibilidade, hei-de numerá-las. Se o livro fosse apenas a explicação das profecias, sem aquela história confusa, seria talvez muito mais apelativo!

Book Review - Aproveita o dia



Imagem retida do seguinte blog:

Saul Bellow, Aproveita o dia. Lisboa, Texto editora, 2007.
Livro requisitado na Biblioteca Municipal Afonso Lopres Vieira

Este é o primeiro livro que li de Saul Bellow e fiquei com curiosidade para conhecer mais a obra deste autor. Quanto a esta livro, confesso que senti bem a tristeza e desânimo da personagem principal pois trata-se da história de um homem de meia idade que pouco mais fez que desperdiçar a vida com ilusões de sucesso. Wilhelm tem apenas a companhia de um pai, que se recusa a apoiá-lo financeiramente, e de uma ex-mulher, cuja única preocupação é a de receber mais dinheiro. Entretanto, surge um estranho que acaba por iludi-lo ainda mais. Senti-me triste pela personagem principal desta história com um título bem irónico. Após esta leitura, pensei que não tinha gostado do livro, mas foi apenas a recusa de sentir a tristeza por uma vida desperdiçada. Um bom livro para reflectir.

Primeira frase: "No que tocava a esconder os seus problemas, Tommy Wilhelm era tão bom como qualquer outra pessoa. Pelo menos estava convencido disso e provas não lhe faltavam. Em tempos tinha sido actor - bem, actor não, figurante e nessa altura aprendeu a representar."

Última frase: "As flores e as luzes fundiram-se estaticamente nos olhos cegos e molhados de W.; uma música pesada como a do mar encheu-lhe os ouvidos. Entrou dentro dele e encontrou-o escondido no meio de uma multidão pela grande e feliz capa das lágrimas. Ele ouviu-a e foi mais longe do que o desgosto, através de soluços e choros dilacerantes, atrás da satisfação da derradeira vontade do seu coração."

Book Review - Vagabundos cruzando a noite

Vagabundos Cruzando a Noite
Imagem retirada de.
http://www.antigona.pt  

Jack London, Vagabundos cruzando a noite. Lisboa, Antígona, 1997, 190 p.
Livro requisitado na Biblioteca João Soares

Comecei o ano 2012 a ler A Peste de Albert Camus e, de seguida, escolhi ler Jack London. Via os livros de Jack London na estante a "chamarem-me" para serem lidos, mas ainda não sentia que tinha chegado a sua vez! No entanto, em Janeiro decidi não resistir mais e comecei por um que me pareceu, dentro da escolha que tinha, o mais autobiográfico possível. E comecei por este livro, que  tem como título original The road. De facto, neste livro o autor descreve bem, embora para mim inacreditável mas real, a vida de um rapaz com apenas 18 anos, que atravessa várias regiões dos Estados Unidos no início do século XX. As condições difíceis, a fome, a necessidade de ser arguto para superar essas dificuldades impressionaram-me e levaram-me a reflectir que o bem-estar social é tão passageiro e recente. O Homem nasceu para viver, superar dificuldades e aproveitar o melhor que a vida lhe oferece, sem esperar levar nada, a não ser a certeza de que tudo fez com honestidade para si e para os outros.
[De salientar ainda que esta editora, a Antígona, é uma das minhas preferidas!]

Book Review - A Peste

Imagem retirada de :
     
Albert Camus, A Peste. [Lisboa], Círculo de Leitores, 1988, 323 p.

Livro requisitado na Biblioteca João Soares

Desde os meus 15 anos que conheço esta história. No entanto tiveram que passar mais 15 para eu finalmente ler este famoso livro de Albert Camus. Não foi a minha estreia na leitura deste autor, em 2001 li "O Estrangeiro". Não sei se foi por estar de férias e de estar naturalmente mais tranquila, mas lembro-me que na altura esse livro impressionou-me muito e verifiquei que era um autor excelente. Não tive tanto esse impacto com este livro, embora a beleza da escrita me tenha muitas vezes feito abrandar o ritmo da leitura para apreciar as frases. Quando isto me acontece sei que estou perante um grande livro. 

P. 61: " Experimentavam assim o sofrimento profundo de todos os prisioneiros e de todos os exilados que vivem com uma memória que não serve para nada. Este próprio passado em que eles reflectiam sem cessar tinha apenas o gosto do arrependimento."

P. 67: "  Como um café tivesse anunciado que "quem vinho bebe, mata a febre", a ideia, já natural no público de que o álcool preservava das doenças infecciosas, fortificava-se na opinião geral. Todas as noites pelas 22 horas, um número considerável de bêbados expulsos dos café enchia as ruas e espalhava-se por elas com afirmações optimistas."

P. 68: " Com a ajuda da fadiga, ele deixara correr as coisas, tinha-se calado cada vez mais e não mantivera a sua jovem mulher na ideia de que era amada. Um homem que trabalha, a pobreza, o futuro lentamente fechado, o silêncio dos serões à volta da mesa - não há lugar para a paixão num tal universo."

P. 103: " Mas o narrador tenta-se mais a acreditar que, dando demasiada importância às belas acções, se presta finalmente uma homenagem indirecta e poderosa ao mal, pois deixaria então supor que estas belas acções só valem tanto por serem raras e que a maldade e a indiferença são forças motrizes bem mais frequentes nas acções dos homens. Essa é uma ideia de que o narrador não compartilha. O mal que existe no mundo vem quase sempre da ignorância, e a boa vontade, se não for esclarecida, pode fazer tantos estragos como a maldade. Os homens são mais bons que maus, e, na verdade, a questão não está aí. Mas ignoram mais ou menos, e é a isso que se chama virtude ou vício, sendo o vício mais desesperado o da ignorância, que julga saber tudo e se autoriza então a matar.

P. 149: "Evidentemente - acrescentava Tarrou -, ele está ameaçado como os outros, mas justamente está-o como os outros. Depois, não está seriamente convencido, tenho a certeza, de que possa ser atingido pela peste. Parece viver da ideia, não de todo tola, aliás, de que um homem que é presa de uma grande doença ou de uma angústia profunda está dispensado, ipso facto, de todas as outras doenças ou angústias. "Já reparou - disse-me ele- que não se podem acumular doenças? (...) a coisa ainda vai mais longe, pois nunca se viu um canceroso morrer de um desastre de automóvel. Falsa ou verdadeira, esta ideia põe Cottard de bom humor."

P. 192" - Em suma - disse Tarrou com simplicidade-, o que me interessa é saber como se pode ser santo.
-Mas você não acredita em Deus.
- Justamente. Pode ser-se santo sem Deus? Eis o único problema que hoje me preocupa."



domingo, 12 de fevereiro de 2012

Mistério na Biblioteca

Depois de ter lido "A profecia celestina" dou comigo a ver coincidências em todo o lado... Desta vez
trata-se de um verdadeiro mistério de tradução. Ora vejamos:

encontrei na biblioteca dois livros que me chamaram a atenção e que de imediato pensei em ler. Quando os juntei para fazer uma requisição é que que verifiquei a semelhança dos títulos!

                                        

Para além dos títulos, os autores também têm o apelido semelhante... Relembro que o primeiro título chama-se no original "Fly by night"(2009) - Frances Hardinge e o segundo título em inglês é "Florence and Giles"(2010) de John Harding!

Mais um caso de Traduttori, Traditore... quem sabe?


Leituras de Janeiro/Fevereiro:


A peste de Albert Camus
The road de Jack London
Aproveita o dia de Saul Bellow
A profecia celestina de James Redfield

Vou preparar algumas breves notas sobre estes livros!

Tanto para falar nem sei por onde começar!! Pelo melhor:


Recebi um selo tão querido!! Pela Maria do blog Pereira's Book's, a quem eu agradeço!!
Mais uma motivação para manter este blog, que é ainda uma novidade para mim!

Regras:

1. Link de volta com o blogueiro que lhe deu;
2. Cole o selinho em seu blog;
3. Escolha 5 blogs para repassá-lo, que tenham menos de 200 seguidores;
4. Deixar comentário avisando que estão recebendo o selinho.
 
Quanto aos 5 blogs para passar escolho os seguintes:


Tentei atribuir este selo a blogs que sigo e que penso ainda não terem recebido este selo. Para além da excelente surpresa de ver o meu blog entre os escolhidos (obrigada, Maria), adorei ter tido a oportunidade de descobrir outros blogs que não conhecia e fiquei a conhecer!

Boas Leituras!!!






sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Na frente ocidental nada de novo.
O Povo
Continua a resistir.
Sem que ninguém lhe valha
Geme e trabalha
até cair.

(Miguel Torga)
via Uma frutinha boa...outra com bicho de Luís Vieira da Mota

Parabéns a...

 
PAUL AUSTER
"As Oscar Wilde once put it, after twenty-five everyone is the same age..."
in The Brooklyn Follies