Copyright © Ler nos livros
Design by Dzignine
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016


A Criatividade inventa, transforma e renova num movimento contínuo em direcção ao Belo. No entanto, nem sempre o nosso pensamento e o nosso olhar estão dispostos a encontrar esse ideal nas mais pequenas coisas. Facilmente caímos numa rotina de sentimentos que nos cega e que nos impede de vislumbrar a verdadeira beleza. É, então, necessária a coragem para transpor essa limitação imposta por nós e, sobretudo, pelos outros que também se esqueceram da importância desse ideal. Sempre que se vive susceptível a uma opinião exterior, a criatividade desaparece. A Beleza desta vida está em voltar a encontrar o caminho para a essência, e de novo para a Criatividade.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016


Leitura e Escrita

Iniciei este blogue em 2011. Sempre gostei de ler, numa maior ou menor regularidade consoante o bem-estar mental que o dia-a-dia permite, e para escrever tinha o meu moleskine que me acompanhava há uma década num exercício de escrita muito libertador, sem qualquer intenção de estar exposto. Esta forma de escrita num blogue, que nada tem de novo, alia imagem e fotografia, o que a torna muito apelativa. De certa maneira, voltei a dar atenção a este espaço, quase só meu, pois considero que ler é importante, mas essa experiência quando é acompanhada pela escrita singela de umas poucas palavras, torna os livros ainda mais presentes na nossa vida e memória. É uma homenagem ao livro e ao autor que sinto que presto, com um retorno ainda maior para mim enquanto leitora!

Book Review - Memorial de Maria Moura






Rachel de Queiroz, Memorial de Maria Moura. 
Lisboa, Livros do Brasil, 1994, 482 p. 


[Primeira leitura iniciada e concluída em 2016, através do empréstimo de um leitor.]

A leitura da obra de Rachel de Queiroz, Memorial de Maria Moura permitiu conhecer uma personagem feminina muito interessante. Maria Moura é uma jovem mulher que se encontra dividida entre dois mundos: um mundo tradicional, passivo, frágil, que ela conhecera na meninice e que se personifica no papel da própria mãe, e em oposição um mundo novo que Maria Moura vai construir para si e para o qual terá que assumir características masculinas, que lhe traz à memória muitos ensinamentos do pai. As ditas memórias de Maria Moura começam a ser tecidas quando esta personagem decide tomar o seu próprio destino nas mãos, o que nesse mundo implicava passar a fronteira do que era considerado legal, ainda que um pouco incipiente, para viver numa espécie de marginalidade que a imensidão do território do Brasil do século XIX permitia. Daí em diante, Maria Moura empreende uma verdadeira obra de construção da sua vida e de uma casa fortaleza, que irá proteger muitos outros que também se encontram numa situação de fuga. Este livro intitula-se como um memorial, e de facto o passado tem aqui um papel muito persecutório. Sobre isto podemos ler numa das passagens do Beato Romano esta conclusão:

"Não, o homem feliz não é o que não tem camisa, como o da história que Padre Barnabé nos contava, no seminário. O homem feliz é o que não tem passado. O maior dos castigos, para o qual só há pior no inferno, é a gente recordar. Lembrança que vem de repente e ataca como uma pontada debaixo das costelas, ali onde se diz que fica o coração. Alguém pode ter tudo, mocidade, dinheiro no bolso, um bom cavalo debaixo das pernas, o mundo todo ao seu dispor. Mas não pode usufruir nada disso, por quê? Porque tem as lembranças perturbando. O passado te persegue, como um cão perverso nos teus calcanhares. Não há dia claro, nem céu azul, nem esperança de futuro, que resista ao assalto das lembranças." p.188

 Para além da história de Maria Moura, encontramos outras vidas simples, que me emocionaram, como as dos que viviam em situação de escravatura com todo o sofrimento que implicava, em especial a separação de pais e filhos. Após ultrapassar as vicissitudes iniciais, Maria Moura irá enfrentar uma grande luta interior que vai desenterrar todo aquele mundo do passado. Percebe-se como a vida esconde várias tipos de lutas e, neste aspecto, a personagem revela fragilidades que poderão fazer esmorecer o entusiasmo pela história ou, pelo contrário, nos levarão a reflectir sobre as contradições próprias do ser humano. Gostei muito da escrita de Rachel de Queiroz e quero conhecer melhor a obra desta escritora, que chegou a assinar com o pseudónimo de Rita de Queluz!
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
Leitura para Fim de Semana 




"Tinha muito com quem se brigar nesse mundo afora - porque eu já estava convencida de que, nesta vida, quem não briga pelo que quer, se acaba." p. 121


quinta-feira, 28 de janeiro de 2016





No dia em que se evoca o centenário do nascimento de Vergílio Ferreira, aqui fica o programa das actividades comemorativas em Gouveia: 

Para mim, este autor está na prateleira de autores portugueses que me acompanha desde os 16 anos, mas que eu adiei a sua leitura por achar que era nova demais e não iria compreender. (Nesses anos duvida-se de tudo, até das capacidades de leitura...) Vinte anos depois, ainda continua por ler. Este ano tenho que enfrentar essa estante sem ideias pré-concebidas! 




O Sonho

Pelo Sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

-Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama, Pelo Sonho é que vamos. Lisboa, Portugália Editora, 1953, 42 p.
sábado, 8 de fevereiro de 2014

Book Review - A máquina de fazer espanhóis



Imagem retirada de: www.joaninhaoulibelinha.blogspot.pt

valter hugo mãe, A máquina de fazer espanhóis. Carnaxide, Objectiva, 2010, 287 p.

Requisitado na Biblioteca João Soares


Numa altura em que VHM promove o seu mais recente livro "A desumanização", fiz a minha primeira leitura deste autor. É um livro que aborda um tema complexo pois fala-nos do sentimento de perda, que vem com o envelhecimento e a morte. Aborda ainda a amizade e o amor numa altura em que a ausência física é mais acentuada. Aos 84 anos, o sr. Silva perde a esposa, Laura, e a família decide colocá-lo num lar. A história desenrola-se a partir do encontro que o sr. Silva irá fazer com os outros utentes do lar, os que já lá viviam e outros que chegam. Destaca-se um grupo de amigos e conhecidos com histórias de vida impressionantes, entre os quais o sr. Pereira, o sr. Esteves (sem metafísica, inspiração de um poema de Fernado Pessoa) e Anísio Franco. Ora se o Esteves "conheceu" o poeta, eu conheci o verdadeiro A.F., conservador do MNAA! Que surpresa curiosa neste livro!
Gostei de ler este livro e de descobrir o significado do título! Destaco a entrevista que este autor deu para o Jornal de Leiria, quando por cá passou em Dezembro!

"A utilidade está na comunidade..."

"nestes modos, sem pensar demasiado, para que o futuro lhe parecesse possível, joão esteves entrou mais uma vez na tabacaria alves e comprou o jornal a ordens do tio. entrou na tabacaria de sorriso educado, cumprimentou o senhor fernando pessoa que ali estava de breve conversa com o dono do estabelecimento e depois cumprimentou o próprio dono do estabelecimento e pediu o jornal de sempre, com a iluminação de sempre, que era sobretudo uma beleza jovial que adivinha dos seus traços privilegiados até dignos de um aristocrata qualquer. a genética, pensaria mais tarde joão esteves, tem destas coisas curiosas, põe-nos com beleza de nobre a passar as fomes dos miseráveis.[...] e joão esteves saiu da tabacaria sem mais nada, inconsciente de que plantara no terreno fértil da criatividade de fernando pessoa um poema eterno." p.82

"um dia essa saudade vai ser benigna. a lembrança da sua esposa vai trazer-lhe um sorriso aos lábios porque é isso que a saudade faz, constrói uma memória que nós nos orgulhamos de guardar, como um trofeu de vida. um dia, senhor silva, a sua esposa vai ser uma memória que já não dói e que lhe traz apenas felicidade. a felicidade de ter partilhado consigo um amor incrível que não pode mais fazê-lo sofrer, apenas levá-lo à glória de o ter vivido, de o ter merecido." p. 91

" sabe, acharmos que salazar é que arranjaria isto, que ele é que punha esta juventude toda na ordem, é natural, porque temos medo destes novos tempos, não são os nossos tempos, e precisamos de nos defendermos. quando dizemos que antigamente é que era bom estamos só a ter saudades, queremos na verdade dizer que antigamente éramos novos, reconhecíamos o mundo como nosso e não tínhamos dores nas costas nem reumatismo. é uma saudade de nós próprios, e não exactamente do regime e menos ainda de salazar."

"deus é uma cobiça que temos dentro de nós. é um modo de querermos tudo, de não nos bastarmos com o que é garantido e já tão abundante. deus é uma inveja pelo que imaginamos. como se não fosse suficiente tanto quanto se nos põe diante durante a vida. queremos mais, queremos sempre mais, até o que não existe e não vai existir. e até inventamos deus porque temos de nos policiar uns aos outros, é verdade. é tão mais fácil gerir os vizinhos se compactuarmos com a hipótese de existir um indivíduo sem corpo que atravessa as casas e escuta tudo quanto dizemos e vê tudo quanto fazemos. [...]os homens acreditam em deus porque não são capazes de acreditar uns nos outros." p. 225 

Book Review - Viagem ao Fim da Noite



Imagem retirada de: www.skoob.com.br

Louis-Ferdinand Céline, Viagem ao fim da noite. Lisboa, Ulisseia, 1973, 474 p.
Requisitado na BMALV 

O ano de 2014 iniciou-se com esta leitura. Numa ida rápida à biblioteca municipal apenas para devolver uns quantos livros juvenis, a questão da técnica "Não quer levar um livro?" ficou a pairar no ar e eu não consegui dizer não... Requisitei este livro, embora não conhecesse nada sobre a história ou o seu autor, tinha apenas uma vaga ideia de já ter lido algures este título e sabia ser um clássico.

A leitura iniciou-se de forma interessante, mas a temática da I Guerra Mundial fez logo prevalecer um tom angustiante e bem revelador do absurdo do conflito. A história de Ferdinand Bardamu vai-se desenrolando por vezes de forma caótica. A passagem por África acentuou uma quebra no meu entusiasmo, mas a ida para os Estados Unidos, a aparição de Molly e o regresso a França reinstalaram mais dinamismo à história. Por vezes, em certas passagens a dor e a escuridão são muito fortes e aí percebemos bem o trauma que a vida sujeita a certas pessoas. A consciência de permanecer nesse estado e as reflexões daí resultantes fazem deste livro uma obra diferente. Não é uma leitura fácil ou agradável. Não podia ser, mas apesar disso aconselho a leitura deste livro. 

Destaco uma entrevista de António Lobo Antunes, no blogue Ciberescritas de Isabel Coutinho, na qual este escritor destaca a forma como esta obra o marcou na sua adolescência e que o fez escrever ao próprio autor. 

Tomo a liberdade de disponibilizar aqui o link para essa entrevista no blogue Ciberescritas: 
http://blogues.publico.pt/ciberescritas/2010/03/23/quando-lobo-antunes-escreveu-a-celine/

Sobre Molly:

" - Não voltes à Ford! - acabava por me desencorajar Molly. - Procura antes um emprego num escritório... Como tradutor, por exemplo, é o teu género...Os livros agradam-te...Aconselhava-me deste modo, muito carinhosamente, queria que eu fosse feliz. Era a primeira vez que um ser humano se interessava por mim, pelo meu egoísmo, de dentro se ouso dizê-lo, se punha no meu lugar, não se limitando apenas a julgar-me do seu, como todos os outros. 
Ah! se eu tivesse encontrado mais cedo esta Molly, ainda a tempo de seguir outro caminho em vez deste! Antes de desbaratar o meu entusiasmo com a galdéria da Musyne e com o monte de estrume que era Lola! Demasiado tarde, agora, para refazer a minha juventude. Não me parecia já possível! Tornamo-nos rapidamente velhos, de forma irremediável. E apercebemo-nos disso quando nos apanhamos a amar a própria desgraça, mesmo sem o desejarmos. É a natureza a mostrar-nos mais forte do que nós, aí está. Treina-nos num determinado género e depois já não podemos sair dele. Eu, por exemplo, partira na direcção da intranquilidade. Vamos pouco a pouco tomando o nosso papel e o nosso destino a sério, sem que dêmos conta disso, e depois quando caímos em nós é demasiado tarde para mudarmos. Encontramo-nos rodeados de inquietação, e claro que para sempre." p.216/217

"Passaram-se já bastantes anos depois desta partida. Anos e anos...Escrevo amiúde para Detroit, e depois ainda para todas as direcções de que me lembrava e onde fosse possível alguém conhecê-la, saber-lhe do paradeiro. Nunca recebi resposta. 
A casa encontra-se neste momento fechada, foi tudo quanto consegui apurar. Boa e admirável Molly, caso ela me possa ainda ler em qualquer lugar por mim ignorado, desejo que saiba nada haver mudado na minha afeição por ela, que a amo ainda e sempre a meu modo, que pode vir até mim quando quiser e partilhar do meu pão e do meu incerto destino. Se não for bela, paciência! Cá nos arranjaremos! Conservei tanta da sua beleza dentro de mim, tão indestrutível e tão reconfortante, que bem chega para nós os dois, pelo menos durante vinte anos, o tempo de acabarmos." p.223

Sobre o Tempo, a Vida e a Juventude:

"A água vinha marulhar junto dos percadores e ali me sentei a vê-los pescar. Eu não tinha pressa nenhuma, lá isso não, tal como eles. Chegara àquele momento, talvez àquela idade em que sabemos muito bem o que perdemos, a cada hora que passa, mas não adquirimos ainda em sabedoria, a força precisa paea estacar subitamente na estrada do tempo, e se por acaso nos tivéssemos detido não saberíamos o que mais fazer sem a paixão de avançar que admiramos e nos possui desde sempre, desde a juventude. Já não nos sentimos tão orgulhosos dela, da juventude, mas ainda não ousamos confessá-lo em público, confessar que a juventude não é talvez senão isso, entusiasmo em envelhecer.
Descobrimos em todo um passado ridículo tanto ridículo, tanta credulidade, tanta aldrabice, que desejaríamos por certo acabar de vez com a mocidade, esperar que ela se desprenda, nos ultrapasse, vê-la ir-se, afastar-se, olhá-la em toda a sua futilidade, dar-lhe a mão no seu vazio, vê-la passar de novo à nossa frente e depois partirmos nós, ficarmos certos de que na verdade ela se foi, a juventude, e tranquilamente, pelo nosso próprio caminho, passarmos vagarosamente para o lado de lá do Tempo, e observarmos então a verdade das pessoas e das coisas." p.271

Sobre o Amor e outras ilusões:

" No estado em que se encontrava [Tania], nem pensar em deixá-la. Insistia em armar ao trágico e mais ainda, em mostrar-se em pleno transe. Que momentos aqueles! Os amores contrariados pela miséria e pelas grandes distâncias são como os amores de marinheiro, não há duas opiniões, irrefutáveis e de êxito assegurado. De resto, sem ocasiões para encontros frequentes não é possível haver insultos, o que já é alguma coisa ganha. E como a vida não passa de um delírio a rebentar de mentiras, quanto mais longe estivermos e quanto mais o rechearmos de mentiras, mais contente nos achamos, é natural e vulgar. A verdade não é comestível.
Neste momento, por exemplo, é fácil que nos contem coisas a respeito de Jesus Cristo. Mas iria ele à retrete perante toda a gente, Jesus Cristo? Tenho cá na ideia que a coisa não teria resistido muito tempo se ele tivesse feito caca em público. Tudo se resume a um mínimo de presença, sobretudo quando se trata de amor." p.344/345

Este livro cumpre a meta que tracei para este ano de 2014 de ler um clássico de Literatura Estrangeira!
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Resoluções para 2014


Este ano vou tentar organizar um novo critério para as minhas leituras mensais. Para cada semana, vou seleccionar um livro de:

. 1 autor português;
. 1 autor estrangeiro;
. 1 livro da minha estante;
. 1 livro não ficção;

Claro que alguns destes critérios poderão coincidir e desse modo o livro não ficção pode pertencer à minha estante, por exemplo. Isto permite colmatar a dificuldade de gestão de tempo que nalgumas semanas prevalece apesar da minha boa vontade.

Espero aproveitar melhor o meu tempo para diversificar leituras e finalmente ler aqueles clássicos e autores que me suscitam tanta curiosidade. Eu vou adiando certas leituras com a justificação de encontrar a melhor altura para ler! Definitivamente, esse é um critério que eu já não vou seguir: a altura ideal não existe, vou antes procurar criá-la!

Leituras de 2013

imagem: www.likesbooks.com

Já a entrar no mês de Fevereiro, finalmente consigo disciplinar-me para colocar por escrito as minhas impressões das leituras realizadas em 2013! Em geral, considero que foi um bom ano de leitura, mas poderia ter feito melhor! Cumpri o meu Goodreads challenge, ao ler 51 livros, mas quantidade não é qualidade e considero que ainda tenho leituras importantes a fazer. De facto, este ano gostava de colocar outros critérios para a selecção de livros a ler. O último trimestre do ano foi muito escasso em leituras por me encontrar numa fase muito especial da minha vida...


Por outro lado, tenho sempre dificuldade em atribuir estrelas de avaliação às leituras e, observando a lista de livros lidos, destaco 15 livros que conseguiram ter um maior impacto. Isto é muito subjectivo pois para mim uma boa leitura/bom livro está sujeito a vários critérios: a história, o pensamento do autor e respectivas reflexões nas entrelinhas, as personagens, ... Tudo isto me influencia para considerar determinado livro como uma boa leitura.Ora, quando essa leitura tem a capacidade de se tornar num momento de felicidade na minha vida, esse livro vai automaticamente para um lugar de excelência na minha estante!

E em 2013, os livros que conseguiram aproximar-se deste critério são:

1) O ano da morte de Ricardo Reis de José Saramago;
Ainda hoje penso que quem escreveu este livro foi o próprio Fernando Pessoa e não José Saramago (!). O contexto histórico de Lisboa nos anos 30 e a vida deste heterónimo estão muito bem retratados.

2) A bela do senhor de Albert Cohen;
Não é fácil entrar neste livro e muito menos sair dele! É uma história de amor, tragédia, comédia de costumes, com uma reflexão absolutamente genial sobre a nossa sociedade. 

3) A casa grande de Romarigães de Aquilino Ribeiro;
Um clássico da Literatura Portuguesa, que me surpreendeu pela frescura e bom humor. Foi também interessante rever algumas localidades do Caminho Português de Santiago.

4) Esteiros de Soeiro Pereira Gomes;
É daqueles livros que só apetece gritar ao mundo "LEIAM ESTE LIVRO!", mas não, não gritei. Muito bom e uma excelente sugestão do G.

5) Servidão Humana de Somerset Maugham;
Na continuação das minhas leituras de Somerset Maugham, gostei muito de conhecer o Philip. A edição do livro que li era muito fraca pelo que tenho a esperança de um dia comprar a edição da Relógio d'Água para poder ler novamente mas como se fosse a primeira vez!

6) A fera na selva de Henry James;
Este pequeno grande livro faz-nos reflectir como por vezes o amor pode ser algo... Enfiml, é uma perpectiva absolutamente genial. 

7) O primo Basílio de Eça de Queirós;
Que livro tão actual! Só me apetecia falar deste livro!

No âmbito das minhas leituras juvenis para o P. L., saliento a descoberta de:
8) "O polegar de Deus" de Louis Sachar
9) "Os olhos de Ana Marta" de Alice Vieira
10) "O Sr. Valery" de Gonçalo M. Tavares
e...

11) "Harry Potter e a pedra filosofal" de J. K. Rowling

12) A arte da simplicidade de Dominique Loreau
Finalmente  li o "livro de cabeceira" que mudou a vida de alguém bem próxima de mim!

13) Aprender a viver de José António Marina;
Excelente filósofo e pedagogo, acho que vou recorrer a esta leitura mais vezes.

14) Os livros que devoraram o meu pai de Afonso Cruz;
Este livro terminou um hiato de quase 3 meses sem leitura... Gostei muito.

Menção honrosa:
Histórias Extraordinárias de Edgar Allan Poe
Tenho que mencionar este livro, mas reconheço que a altura não foi a ideal pois já estava a atingir o limite de resistência... O raciocínio intrincado das histórias impressionou-me mas não estava em condições de acompanhar!

O ano de 2013 foi também ano da descoberta dos canais literários do Youtube. Comecei por ser seguidora do canal "A mulher que ama livros" e da "Inesbooks", para além de assistir regularmente aos canais brasileiros "Tiny Little Things", "Ao rés do chão", "lidolendo", "letras de batom", e em inglês "Books and Quills da holandesa Sanne e "The Readables" da canadiana Priscilla .  

[Inicialmente, tinha alguma relutância em ver os vlogs brasileiros por considerar que mostravam edições de livros que dificilmente teria acesso, mas tenho constatado o contrário! Entretanto, a lista de canais portugueses cresceu e o entusiamo que transmitem pela leitura tornam estes vídeos em algo viciante para quem adora livros!]

Já comprei alguns livros por sugestão dos canais que referi, sobretudo "A mulher que ama livros" que vai lendo muitos clássicos e não apenas os típicos livros YA que" toda a gente" anda a ler. Também gosto da selecção de ficção contemporânea da "Inesbooks", a quem já tive a sorte de conhecer! Aonde? Numa livraria, naturalmente! Apesar da minha timidez, não resisti a apresentar-me como seguidora do vlog!

E, deste modo, concluo esta - não tão breve- reflexão sobre as minhas leituras em 2013!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Book Review - O Ano da Morte de Ricardo Reis


Imagem retirada de:

A leitura deste livro de José Saramago foi impressionante e inesperada. Quando comecei a ler, fiquei completamente rendida a partir do momento em que Ricardo Reis reencontra Fernando Pessoa. 
Em 1935, Ricardo Reis no seu regresso a Lisboa vai encontrar uma cidade cinzenta e um abatimento não resultante apenas da forte chuva mas de um mal mais sombrio. Nas vésperas da guerra civil de Espanha,  sedimentavam-se as bases do regime autoritário em Portugal que espalhava o medo e a desconfiança. A história de Ricardo Reis vai desenrolar-se neste contexto histórico, frequentemente abordado pelo autor. Hospedado no Hotel Bragança, entre o Chiado e a Rua Augusta, Ricardo Reis vai percorrer estes locais numa descrição que nos dá vontade de visitar esses mesmos caminhos. Na história, esse vaguear de Ricardo  Reis vai também conduzi-lo ao cemitério onde está sepultado Fernando Pessoa. Inesperadamente, os dois poetas ainda se vão encontrar pois Fernando Pessoa ainda dispõe de algum tempo para poder "sair" do túmulo e encontrar-se com Ricardo Reis.
No hotel, o médico poeta inicia um caso com Lídia, ao mesmo tempo que vai conhecendo Marcenda, por quem tem uma curiosidade imediata devido às circunstâncias das suas visitas a Lisboa com o pai. Lídia, simples empregada do hotel, retrata uma classe trabalhadora da época, sem acesso à escolaridade básica e consciente das dificuldades da vida, embora esta personagem mantenha ainda uma capacidade de sonhar. Gostei muito desta personagem - Lídia - pela sua sabedoria feita da experiência de vida e pelas ilusões que vai criando, apesar de conhecer uma vida sem grande margem para tal. Lídia tem ainda um irmão republicano na marinha, que a vai informando de alguns pormenores das reivindicações oposicionistas. Na sua simplicidade e confiança, Lídia conta a Ricardo Reis. Infelizmente, a relação entre ambos é muito baseada no contacto físico e as diferenças sociais impedem que  procurem um  futuro para a relação. No entanto, dá para perceber que Lídia sonha com um final diferente...
Marcenda, por seu lado, pertence aparentemente a um meio social mais próximo de Ricardo Reis, com o qual inicia uma secreta relação  epistolar. Marcenda padece de uma doença misteriosa que a impede de movimentar o braço esquerdo. As suas visitas a Lisboa com o pai são regulares e justificam-se com as consultas a um médico particular. Esta é a justificação oficial para a vinda a Lisboa, diria mesmo o motivo socialmente correcto, pois Marcenda sabe que, para o pai, estas visitas servem fundamentalmente para se encontrar com uma amante...
Curioso ainda como quando Ricardo Reis é chamado pela PIDE para se dirigir à sede na Rua António Maria Cardoso, os funcionários do hotel dão-no como culpado à partida e o receio persiste a partir desse momento. Ao fim de dois meses, Ricardo Reis decide sair do hotel e aluga uma casa, que irá ser constantemente vigiada pelo agente "bafo de cebola"da PIDE. Lídia visita-o nos dias de folga e mais tarde descobre que está grávida. Ricardo Reis fica em pânico com esta nova situação, mas não chegará a assumir o papel de pai pois estava já no ano da sua morte.
Esta é a minha segunda leitura de Saramago, comecei por ler o "Memorial do Convento" há oito anos para uma comunidade de leitores e deixei o livro a meio. Na altura percebi que a tão comentada dificuldade de leitura não era assim tão restritiva para compreender a história. Pelo contrário, estava a gostar mas as circunstâncias foram mais fortes e tive de abandonar a leitura. Mais tarde, em 2009 (?) li "A viagem do elefante" do qual gostei apenas da dedicatória de Saramago a Pilar del Rio... Mas como eu tinha oferecido o livro, tive de o ler pois a pessoa, que recebeu o livro, emprestou-mo para eu o ler também... Não podia desistir de um livro que eu própria tinha comprado para oferecer! À minha espera já tenho "Ensaio sobre a cegueira", sugerido por essa mesma pessoa e com boas recomendações, para poder retomar a leitura do nosso Nobel.

Book Review - The Great Gatsby


Imagem retirada de:


F. Scott Fitzgerald, O grande Gatsby. Lisboa, Relógio d´Água, 177 p.

Aqui está um livro da minha estante! Um clássico da literatura dos anos 20, a década mais interessante do século XX na minha opinião. Apesar da expectativa, este livro deixou-me com uma sensação estranha de tristeza e desilusão. Confesso que não tinha lido rigorosamente nada que me preparasse para a leitura deste livro. Consequentemente senti bem o choque de saber que: O grande Gatsby morre... O quê?! Não!? A verdade é que li o livro com demasiada avidez, fiquei triste com a história de Gatsby e a sua ilusão de reconquistar Daisy. 
A história é-nos contada por Nick Carraway, um jovem que ambiciona fazer carreira em Nova York. Quando Nick vai viver para Long Island, tem como vizinho o misterioso Gatsby, um magnata conhecido pela grandiosas festas na sua mansão luxuosa. Em Long Island, Nick convive com Thom, e respectiva esposa Daisy e ainda Jordan Baker, amiga do casal e por quem se vai envolver sentimentalmente. Nesta fase ainda falta a Nick descobrir o que se esconde nas vidas adornadas de luxo do meio social retratado.
Quando Gatsby finalmente reencontra Daisy, o seu primeiro amor, renasce a esperança de a reconquistar. Aliás, este teria sido o motivo para toda a sua ascensão social. Agora que era visível a todos que enriquecera, Gatsby já estaria em condições para oferecer a Daisy a vida que esta estava habituada a ter. Daisy já tinha percebido que o seu casamento com Thom não fazia sentido face às sucessivas traições do marido. Com Gatsby de novo na sua vida, Daisy poderia escolher um novo rumo. No entanto, Daisy  vai demonstrar que não merece o amor de Gatsby e que as convenções sociais/cobardia vão vencer mais uma vez. Nick Carraway vai criando uma maior empatia com Gatsby, acompanhando-o no rápido desenrolar de acontecimentos que inevitavelmente irão conduzir a um desfecho trágico da história.
Thom e Daisy fogem convenientemente para a Europa após Myrtle, a amante de Thom, ser atropelada por Daisy no momento em que saira à rua convencida de que era o amante Thom a conduzir o carro amarelo. Myrtle era casada com o mecânico local e não aceitava a sua vida como ela era. O caso que teve com Thom sera já consequência da sua vontade de ter outra vida, daí ter saído à rua para travar o carro, pensando que encontraria Thom ao volante com a esposa ao lado. Pobre Myrtle, também iludida mas também cruel com o próprio marido.
Gatsby assumiria a responsabilidade da condução do veículo, procurando proteger Daisy da culpa pelo atropelamento e fuga. No entanto, Daisy abandona-o e o marido de Myrtle vinga-se da morte da mulher, assassinando erradamente Gatsby. Nick fica consternado perante a morte de Gatsby, inocente de culpa, e assiste ao funeral do amigo, abandonado por todos. Como não ficar triste com esta história? A desilusão ao virar as últimas páginas nada teve a ver com a escrita deste autor mas sim por  esta história demonstrar tão bem a perda de ilusões e de ideais nesta sociedade com valores tão efémeros.

Book Review - A Confissão de Lúcio


Imagem retirada de:

Mário de Sá-Carneiro, A confissão de Lúcio. Mem Martins, Europa-América, D.L.1994, 117 p.

Aqui está um escritor português que me impressiona pelo fim trágico numa idade tão jovem... Até agora o meu conhecimento deste escritor resumia-se à leitura de alguns poemas na escola. 
Com a leitura deste livro conhecemos um triângulo amoroso entre as personagens Lúcio, Marta e Ricardo. Lúcio é um poeta que parte para Paris, onde conhece outros artistas e escritores portugueses. O amigo mais marcante vai ser Ricardo, com quem estabelece uma amizade assente na partilha de valores e perspectivas sobre a Arte. Mais tarde, Ricardo regressa a Portugal depois de se casar com a misteriosa Marta. Quando Lúcio volta a Lisboa e a frequentar a casa de Ricardo, inicia uma relação com Marta. A descrição deste amor inesperado foi muito surpreendente para mim, muito avant-garde...
Marta acabou por se desinteressar de Lúcio e envolve-se com outro "amigo" de Ricardo. Lúcio parte de novo para Paris. Quando regressa, Lúcio reencontra Ricardo e os dois descobrem quem é o novo amante de Marta. Mais tarde, Ricardo dirige-se a casa onde já estava Marta. À frente da mulher e de Lúcio, Ricardo suicida-se. As provas incriminam Lúcio, que "aceita" ser acusado de um crime que não cometera. Na prisão, Lúcio relata esta confissão e esse tempo de reclusão - 10 anos! - é visto por ele como um afastamento do mundo e de uma vida que não escolhera. Um livro triste e belo, ao mesmo tempo.

Book Review - A Lua de Joana


Esta imagem retirada de:

Maria Teresa Maia Gonzalez, A lua de Joana. Lisboa, Verbo, 198 p.

Conheci tarde este livro e imaginei-o como um clássico para adolescentes. Apesar disso, decidi ler pois quando há qualidade, não há idade. Gostei da história, inicialmente ainda achei a personalidade da Joana muito expressiva e vincada para a idade. No entanto, a transformação desta personagem ao longo da história vai ser surpreendente.  O fim trágico levou-me a  reflectir sobre vários problemas e vulnerabilidades dos jovens. Neste caso particular, o livro trata da toxicodependência. Nos anos 90 esta temática era muito abordada nas escolas. Hoje em dia não sei como é que esta questão é tratada. Entre outros problemas que persistem hoje em dia, salienta-se a falta de tempo dos pais para estar com os filhos. Esta dificuldade é insistentemente abordada pela Joana, que sentia gravemente a ausência da amiga que morrera de overdose. A solidão vai minar a confiança e alegria de viver de Joana. Uma história bem contada (com um final triste) que faz reflectir muito sobre a fragilidade da vida.

p. 31 "E percebi que os sorrisos servem para uma data de coisas, como por exemplo, para tapar buracos que aparecem quando o mar das palavras se transforma em deserto."


sábado, 16 de fevereiro de 2013

Book Review - A Cosmética do inimigo


Imagem retirada de:

Amélie Nothomb, A cósmética do inimigo. Lisboa, Bizâncio, 2002, 99 p.

   Se gostei de Temor e tremor, este livro A cosmética do inimigo  conseguiu surpreender-me completamente. Esta história desenrola-se num aeroporto onde Jerome Angust aguarda um vôo que se encontra atrasado devido a problemas técnicos. Durante essa espera maçadora, Jerome vê-se a ser importunado por um homem que, sem qualquer embaraço, tenta conversar com ele. Após várias tentativas para se livrar da conversa mas sem sucesso, Jerome Angust inicia um diálogo no mínimo irónico, cáustico e, por isso, completamente hilariante! No entanto, quando essa personagem começa a revelar demasiado, contando pormenores do passado, em particular da mulher falecida de Jerome Angust, verificamos que este começa a perder argumentação no diálogo. Textor, o desconhecido, revela as condições da morte de Isabelle e, embora conheça todos os pormenores do crime, Textor acusa Jerome como o verdadeiro culpado. Jerome defende-se e Textor propõe que, para fundamentar essa inocência, Jerome terá que o matar. Só assim se libertaria do verdadeiro assassino: a culpa de não saber quem fez o quê. 
   Como nota final, lemos que, naquele dia, um indivíduo se suicidou, batendo com a cabeça numa parede do aeroporto perante a estupefacção dos restantes passageiros. Bem! O que aparentava ser um diálogo, revelou-se um monólogo. Consciência de um indivíduo que carregava a culpa dentro dele. Simplesmente surpreendente. O título adequa-se na perfeição a esta história.

Book Review - Temor e Tremor

Imagem retirada de:

Amélie Nothomb, Temor e tremor. 2ª ed. Lisboa, Bizâncio, 2000, 111p.

Bem no início do ano e após ter terminado a leitura de O último homem na torre de Aravind Adiga (livro que eu ainda considero como de 2012). li por impulso dois livros de Amélie Nothomb. Há livros que esperam anos na estante até os lermos, outros têm o poder de criar tão grandes expectativas que vamos adiando até encontrar a altura ideal para os ler! (Isto é errado...). Bom não foi o caso destes livros. 

Achei curioso como esta autora, de origem europeia e que viveu no Japão até aos 5 anos, conseguiu em Temor e tremor abordar os sentimentos ambivalentes que se criam na nossa memória relativamente ao lugar onde nascemos. A idealização que Nothomb fez do Japão levou-a a lutar por se integrar numa empresa multinacional japonesa. No entanto, esta experiência vai revelar as diferenças culturais entre a autora e os colegas num ambiente moderno e corporativo, mas marcado ainda pelos preconceitos enraizados na tradição. Nesse contraste cultural, a história assume um ar ternurento e de alguma ingenuidade. Quando associamos a perfeição a determinados traços culturais, por vezes corremos o risco de não ver outros traços da realidade.

" ...qualquer estrangeiro que queira integrar-se no Japão põe como ponto de honra o respeito pelos usos do Império. É notável que o contrário seja absolutamente falso: os nipónicos que se melindram com as dos outros ao seu código nunca de escandalizam com as suas próprias derrogações das regras de civilidade dos outros.
      Estava consciente desta injustiça e, no entanto, sujeitava-me inteiramente. As atitudes mais incompreensíveis de uma vida devem-se, normalmente, à persistência de um deslumbramento da infância: em criança, a beleza do meu universo japonês tinha-me impressionado tanto que eu funcionava ainda com esse reservatório afectivo. Tinha agora sob os olhos o horror desprezador de um sistema que negava aquilo que eu amara e, no entanto, permanecia fiel a estes valores em que já não acreditava." p.80

Virar a Página II














E aqui estão as leituras de 2012, falta ainda o livro de Carlos Lopes Pires, O Perfume da Flor. Não tenho  nenhuma opinião escrita sobre estes livros pois, infelizmente, da intenção à acção vai um longo caminho. A vontade de ler mais ultrapassou completamente o objectivo de ir mantendo uma reflexão atempada das leituras. De momento, tomei a decisão de avançar e dedicar-me às Leituras de 2013 e, de facto, até agora tenho tudo melhor organizado! O que não me impede de fazer aqui uma breve abordagem sobre estas leituras  de 2012. Brevemente, agora não.


sábado, 9 de fevereiro de 2013

Book review - Úrsula, a maior




Alice Vieira, Úrsula, a maior. 4ª ed. Lisboa, Caminho, 1998, 191 p.

A leitura desta história teve um propósito muito particular: terminar uma leitura que ficou pendente há 20 anos. Estava no 7º ano e a prof.ª Vade Retro Satanás decidiu fazer uma biblioteca de turma. Cada um levava um livro seu. Eu devo ter levado um livro da colecção "Uma Aventura", tal como metade da turma... Na minha vez de escolher um livro, optei por este porque gostei do título. Depois percebi que essa escolha foi do agrado da professora, que me disse que o livro era bom. Como eu não gostava da professora, essa opinião pouca diferença fez no meu entusiasmo. Comecei a ler e achei o livro estranho e confuso. Na ficha de leitura, justifiquei que não terminei a leitura com o facto de o livro estar cheio de notas a lápis e que isso me perturbou...! Claro que o comentário da professora foi tudo menos simpático! Que paciência, a dela e a minha. Com tudo isto, o livro foi para a prateleira dos detestáveis. Fiz agora justiça ao livro: li-o. Afinal, é uma história simpática sobre a emancipação de uma menina com tendência a exagerar no bom comportamento em detrimento de uma atitude mais assertiva face aos outros. A história é contada na perspectiva da Maria João, uma jovem de 14 anos. A natureza reivindicativa da Maria João contrasta com a aparente passividade da Xuxu/Úrsula. Confesso que achei a linguagem da Maria João muito madura para uma menina de 14 anos. Mas fica aqui a dúvida.

Book review - A 25ª hora




Constantin Virgil Gheorghiu, A 25ª hora. Lisboa, Círculo de Leitores, 1974, 357 p.

Levei 10 anos ( como é possível?!) a ler este livro recomendado pelo prof. João Medina na disciplina "História da Cultura Contemporânea". Ironicamente, posso dizer que li A 25ª hora em menos de 24 horas! Este é um livro que nos envolve completamente na história, mas de uma forma dolorosa. Durante vários dias após a leitura, andava como se tivesse levado uma pancada na cabeça. O que foi em si tão traumático? A percepção de que a vida humana é tão frágil e volúvel a situações que nos escapam ao controlo. Não de doença, acidentes ou outros desastres imprevisíveis, mas sim de guerra e conflitos que destroem tantas vidas. A história tem como enquadramento a II Guerra Mundial, que iria afectar igualmente a vida do autor desta obra. O relato das consequências de uma guerra absurda, como o são todas, é impressionante. Keep smiling, keep smiling...




Book review - Mrs. Craddock


Imagem retirada de:

Somerset Maugham, Mrs. Craddock. S.l., Livros do Brasil, s.d., 332 p.

O ano que passou foi definitivamente dedicado à leitura de Somerset Maugham, de quem eu não lera nada até então. Depois de Up at the villa/Casamento em Florença, The razor's edge/O fio da navalha, The moon and sixpence/Um gosto e seis vinténs, volto a pegar num livro deste autor com a certeza, porém, de que não será o útlimo pois ainda tenho para ler "O véu pintado" e "A servidão humana". A partir da sugestão de uma leitora amiga do Goodreads (where else?), comecei a ler este livro com interesse.

Esta é a história de Bertha Ley, futura Mrs. Craddock, uma jovem mulher com uma educação privilegiada para a arte e literatura. Pertencente a uma antiga família, Bertha viajou, conviveu com pessoas cultas e desenvolveu uma sensibilidade muito própria. Como todo o ser humano, Bertha desejava encontar o verdadeiro Amor. A morte prematura do pai levou-a a permanecer na propriedade de família, que mostrava sinais de decadência. A vontade de amar fê-la idealizar um vizinho que conhecia desde a infância e com quem viria a casar, apesar deste pertencer a uma família mais humilde.

 Empreendedor, Edward Craddock vive para a terra e para as actividades ligadas à exploração agrícola. O casal vive em harmonia, até Bertha sofrer um aborto. Craddock não consegue corresponder às ansiedades da mulher. Bertha decide então partir por uns tempos para Paris. A primeira parte do livro foi um pouco lenta, as manifestações de amor dos recém-casados deixava escapar alguma ironia e prolongavam-se, prolongavam-se... No entanto quando Bertha regressa, o antigo amor, natural e ridículo, transforma-se em desprezo e a partir daí temos outra Mrs. Craddock. Para mim, o livro começa aqui! A leitura dessas páginas são verdadeiramente deliciosas para o espírito!

Excertos: imensos...

p. 219-222    p.226-227 p.230 p.242 p.254
p.265/271/276 p.297-300 p.304-307 p.331-332