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sábado, 7 de julho de 2012

Book review - O tio Goriot





Esta imagem foi retirada de:
Biblioteca Municipal Tomás Ribeiro

Honoré de Balzac, o Tio Goriot, Lisboa, Portugália, 1969, 396 p.
Livro requisitado na Biblioteca João Soares

Li este livro nos meses que antecederam o casamento e, por isso, só de olhar para ele faz-me lembrar com saudade a leitura. Se, como dizia Thoreau, grandes livros marcam o início de novas etapas da nossa vida, para mim grandes momentos têm de ser acompanhados por livros muito bons! É o caso deste livro e desta altura da minha vida! 
Aconselhado por uma amiga, esta leitura superou qualquer expectativa. A história começa com a descrição da pensão da Sra. Vauquer na Rue Neuve-Sainte-Geneviève onde estão alojadas as personages principais: o pai Goriot e Eugénio de Rastignac. Para além destas personagens, temos a senhora Couture, Vitorina, o Senhor Poiret e o perspicaz senhor Vautrin. A menina Michonneau, sem esquecer Sílvia e Cristóvão, empregados da pensão. 
A história desenrola-se a partir da experiência de Eugénio, estudante de Medicina em Paris, a dar os primeiros passos na alta sociedade parisiense. Embora provenha de uma família com antecessores aristocratas, Eugénio almeja alcançar sucesso social no meio parisiense. O deslumbramento inicial de Eugénio face ao luxo, leva-o a tentar adoptar esse estilo de vida, através de um procedimento "comum": ligar-se a uma amante rica e de preferência casada...
O solitário tio Goriot entra na história com uma surpreendente reviravolta: Eugénio descobre que é o pai da sua tão desejada duquesa de Nucingen. De facto, Goriot é um antigo industrial que fez fortuna no negócio de massas alimentares e pai de duas filhas bem-casadas com ilustres senhores da alta sociedade. Estas duas filhas vão renegar o pai quando este deixa de as poder sustentar num estilo de vida luxuoso e superficial. O velho pai é explorado até à miséria pelas filhas sem se aperceber. Também Eugénio tenta uma aproximação junto de Goriot para conhecer melhor a filha duquesa.
Este livro é de uma beleza rara na descrição da natureza humana. O crescimento de Eugénio, ao adquirir uma melhor compreensão da sociedade parisiense, fez-me crescer também. O final da história é bem revelador de uma nova sensibilidade face ao sofrimento envolvente com  o último suspiro de Goriot a ganhar um sentido tão próximo ao real. 
Este é daqueles livros que à medida que se vai lendo, torna-se necessário tomar nota das páginas que descrevem tão bem a natureza humana. Este livro pertence à Estante dos Inesquecíveis e dos Que um dia vou reler.O tio Goriot fez-me pensar nos filhos e na sua educação. Tão bem quis Goriot fazer às filhas, que apenas criou egoísmo. O espírito de sacrifício da família também é bem revelador na história de Eugénio. Um grande livro sobre a natureza humana, capaz de infligir tantas injustiças ao próximo e, ao mesmo tempo, manifestar generosidade sem par.

* De Balzac, já tinha lido "A mulher de trinta anos", precisamente na véspera de fazer os 30 anos em 2010.


2 comentários:

  1. Vou lê-lo nos próximos dias. Porque será que a tradução portuguesa ora aparece como «O Pai Goriot» ora como «O Tio Goriot»? Numa tradução literal, deveria ser «O Pai», claro. Sabe da razão porque alguns tradutores tenham preferido «Tio»? Parabéns pelo blogue.

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    1. Curiosa essa questão! Não sei a resposta, apenas tenho a minha interpretação.
      Demorei a responder ao seu comentário, já deve estar a meio desse livro fantástico...Espero que esteja a gostar. Boas Leituras!

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